28 de jan. de 2011

Estranhamento

Moro num bairro de pessoas comuns. Todos são iguais, ouvem as mesmas músicas, se vestem da mesma forma e se comportam todos da mesma maneira. Principalmente, os jovens da minha idade. Por muito tempo, no início da adolescência, eu tentei me adaptar a esse mundo. Eu queria fazer parte de alguma coisa, me sentir um jovem normal, enfim. Claro que não consegui. Nada dessa "normalidade" me era natural. Sempre fui um garoto muito intenso, ou era preto ou branco. Desde criança, eu me sentia diferente da maioria das pessoas da minha idade. Enquanto todos já estavam naquela de beijar na boca, eu ainda estava em casa comendo bolo de chocolate e assistindo Castelo Rá Tim Bum. Cresci vendo as pessoas cochicharem sobre mim, ou sobre terceiros falando sobre mim para os meus pais, ou vendo grupos de pessoas cessando a conversa quando eu passava, ou simplesmente me ignorando totalmente. Nunca me senti parte de um grupo. Justamente por que eu era diferente. E eu me julgava ser MENOS do que todos por isso, quando na verdade, era apenas a minha natureza. Meu tempo nunca foi como o das outras pessoas. Sempre estive com um pé dentro do meu mundinho e outro fora. O meu mundinho sempre esteve lá, e ainda está. Hoje em dia não me sinto menos. Você pode dizer: E daí pro que os outros pensam sobre você? E daí se você não é aquilo que todo mundo espera que você seja? E daí? Você acostumou a viver assim. Isso é você. E a diferença é linda. Você não é menos e nem mais que ninguém. Você é simplesmente você. E acredito que essa é a nossa missão no mundo. Ser o que somos, desde que seja verdadeiro.

25 de jan. de 2011

O Amor

Você sempre correu atrás daquilo que as pessoas chamam de amor. Você não mede esforços para conseguir a pessoa amada ou aquela que costumam chamar de "soul mate". Você escuta aquelas canções sertanejas que falam sobre amores frustrados e secretamente você se identifica com aquele eu-lírico choroso.Você não admite, mas sabe que lá no fundo, o desmembramento dos seus problemas vai terminar em amor

O amor é a grande força do mundo. Você lê as revistas, best-sellers e tenta aprender como se conquista um grande amor. Você sempre esperou aquele príncipe encantado que virá montado num cavalo branco para te salvar dessa rotina medíocre que você tem. Eu me pergunto, em que momento os pés pisarão no chão e lá permanecerão. Tal como o juízo na cabeça. Uma pessoa não pode mudar a sua vida. Porque elas são tão falhas e egoístas quanto você.

Acho que em alguma parte desse blog, eu já devo ter dito que não acredito no amor. Calma, não sou tão BAD assim. Apenas tenho um outro conceito para "amor". Um sentimento mais racional e menos idealizado do que o da maior parte das pessoas. 

E não, não houve nenhum motivo para eu ter escrito este post. Apenas senti vontade de comentar sobre.

24 de jan. de 2011

Yay

As vezes a gente sobe à superfície e fica admirando a luz. É divertido. Agora, por exemplo, estou me sentindo a pessoa mais realizada do mundo. Pelo simples fato de eu ser eu. Ok, isso por si só já é um fato estranho e mais estranho ainda por vir de mim. Whatever, estou feliz. Estou tendo espasmos de criatividade, que irão me obrigar a desenhar a noite toda. Ou o tempo que for necessário, eu já conheço.

Estou com fome. Muita fome. Não comi nada ainda (são 18:26) e eu estou com MUITA FOME. Porque eu não como? Simples, porque não tem nada para comer e eu não estou com coragem de sair para comprar. Vou fumar um cigarro, tomar um banho e desenhar que passa.

Estou agoniado de ter que voltar a trabalhar daqui a uma semana e dois dias. Isso não é legal. Ou é.

Não sei.

Amanhã tem show do Holger e eu vou.

21 de jan. de 2011

Café e cigarros

E como nos velhos tempos, eu me vi sentado naquela cadeira de madeira tão familiar, em meio a umas mesas molhadas, e algumas cadeiras em igual situação. Eu apoiava o pé numa cadeira à frente e de minutos em minutos bebericava do meu copo de café com leite gelado e sem açúcar - por favor. Dividíamos os cigarros e soltávamos alguma risada, ocasionalmente. E como nos velhos tempos, nós estaríamos ali, por horas e horas a falar sobre a vida, as pessoas, as nuvens, a grama, os bolinhos fritos, medos, alegrias e gracinhas, ou qualquer coisa que viesse à cabeça. Nessas situações o horário sempre pareceu um mero detalhe, algo secundário e eu nem tinha mais obrigações a cumprir e compromisso algum com alguém ou algo. Sempre fora assim. E o que estava adormecida, simplesmente acordou e voltou a ser como sempre foi. Há muito, eu não me sentia feliz como naquele momento.

12 de jan. de 2011

Pagodão

Hoje saí de casa cedo para ir ao psiquiatra, me arrumei bonitinho e fui. Chegando lá, fui atendido rapidamente e descobri que vou tomar 3 dosagens de antidepressivo por dia, à partir de amanhã. Whatever, saindo de lá encontrei umas amigas e fui prum bar de pagodão. Sambei e cantei. Foi divertido. Imagina um cara barbado, com camiseta do AC/DC, calça preta, piercing na cara, alargador e sambando.

É. Eu não estava bêbado.

10 de jan. de 2011

I am the rain II

1 hora da manhã. Uma música triste ainda rolava e meu humor não estava grande coisa. O barulho da chuva batendo na janela estava me agradando e como um lapso muito rápido de insanidade, me veio a idéia de sair na chuva em plena uma hora da manhã. Quando percebi, estava lá no quintal, tomando banho de chuva. Minha mãe abriu a porta da sala para ver o que estava acontecendo e me encontrou com um sorriso de orelha a orelha. Pude perceber que ela ficou assustada. Mas estava tudo ok. Eu estava bem. A chuva poderia me curar.

...

Alguns minutos depois.
(Estou bem e tomado banho, quentinho na cama. 01:38).

I am the rain

O mundo pode ser um lugar assustador, é verdade. Mas porque não encarar de frente?
Quer dizer, você está ouvindo a chuva lá fora e está se sentindo sozinho. A chuva não te dá medo, mas sim a solidão. Aquela solidão que te pega todas as noites. Aquele sentimento ruim e angustiante. Você deita com os olhos pregados no teto e sente medo de continuar assim, dessa forma. Você tem medo de si próprio e nem consegue chorar por isso. Você só fica ouvindo o barulho da chuva.

É meia noite e 46 minutos. Uma boa hora para levantar e sair na chuva forte que cai lá fora.