Não quero que esse post soe mimizento. Não quero, veja bem. Isso não significa que eu consiga. Está frio, e meus dedos não estão tão flexíveis para uma boa digitação. E isso nem vem ao caso, aliás. Falei de alegre que sou. Gostaria de dividir mais uma de minhas frequentes epifanias. Hoje voltando do trabalho para casa, pensei, ao mesmo tempo que olhava para a paisagem nublada e ainda clara: Eu poderia morrer hoje, e morreria feliz. Digo isso com absoluta certeza de alguém que sabe das coisas. Eu não sei das coisas, calma. Eu sei dessa coisa, apenas. Que coisa? Porque eu morreria feliz? Simples como a coisa em si, mas a realidade é que amar alguém é a coisa mais simples e difícil que pode existir. E eu amo alguém.
Fato.
Nunca achei que diria algo assim, tendo absoluta certeza do que estava falando. Não sabia nem o significado dessa palavra. Aliás, achava que sabia. Pra mim amor era aquela coisa complicada, batalhada, suada e sofrida. Em outras palavras, o amor para mim era aquela coisa de história de contos de fadas, onde eu precisaria expulsar demônios, enfrentar dragões e matar bruxas para, enfim, salvar a princesa do alto da torre. Isso é mesmo amor? O amor tem que ser, necessariamente, difícil? Não. O amor está naquelas coisinhas do dia-a-dia, convivendo com alguém. Amor é poder ser você mesmo perto de alguém, sem medo do que pensa. Amor é arrotar na frente do outro e rir. É dividir o último cigarro. É ser sincero, sem medir palavras e saber que o outro vai entender e aceitar. É respeitar as diferenças um do outro e gostar delas. É inventar palavras que só ele e o outro entenderão. É ter cumplicidade, usar apelidinhos babacas. É abraçar com toda a força, como se o outro fosse sumir a todo momento. É estar lado a lado, em todos os momentos, inclusive nos ruins. É não ter vergonha de assumir fraquezas. É a convicção de que nem um astro de Holywood não tem um terço da beleza do que o outro. É aprender coisas sobre o outro, para ser útil. É rir das idiotices que outro fala. É estar irritado com um mundo, receber um abraço e esquecer tudo. É fazer planos que envolvam os dois daqui a 15 anos, tendo certeza que eles irão acontecer.
É a melhor coisa do mundo.
31 de out. de 2011
27 de out. de 2011
Alison Mosshart
Vulgo VV, do Kills (banda anglo-americana).
Por sinal, uma das minhas bandas favoritas.
Daí que enquanto ela cantava Last Goodbye, eu levantei o caderninho (estava bem de frente pra ela) e ela olhou, fez cara de "aun, cute" e pedi pra assinar o desenho. Ela assinou. #win
Por sinal, uma das minhas bandas favoritas.
Daí que enquanto ela cantava Last Goodbye, eu levantei o caderninho (estava bem de frente pra ela) e ela olhou, fez cara de "aun, cute" e pedi pra assinar o desenho. Ela assinou. #win
25 de out. de 2011
Cronica de um homem amarelo
Acordou no horário habitual, às sete horas da manhã. Pronto para o trabalho, deu uma rápida conferida em sua aparencia e pensou "amarelo" - sem saber exatamente do porquê disso. Ignorando o fato, foi trabalhar. Pegou o mesmo vagão do metrô habitual, sempre no mesmo cantinho da porta. Estava apinhado de pessoas, como sempre. Todos olhavam para ele. Alguns desviavam o olhar e voltavam a olhar. Intrigado e sem saber o que acontecia, olhou para baixo e deu uma rápida verificada em sua roupa, sapato e gravata. Nada. Tudo impecável.
O dia correu como de costume, exceto com a única diferença dos olhares a mais. Não era um cara feio e nem bonito. Logo, daquele tipo que não chama a atenção numa multidão, então porque?
Foi quando o dia deu uma reviravolta, ao adentrar o banheiro da empresa e reparar que ele estava amarelo. Sim, meus caros amigos, amarelo. Se perguntou desde quando estava assim. E o porquê disso, claro. Não sabia com precisão, ignorou e pensou que o próximo passo seria seus olhos esbugalharem, seus cabelos cairem, sua barriga crescer alguns centímetros, começar a beber cerveja duffy e contar piadas sem graça. Isso ele já fazia, aliás.
Qualquer semelhança com a realidade é coincidência. Ou não.
O dia correu como de costume, exceto com a única diferença dos olhares a mais. Não era um cara feio e nem bonito. Logo, daquele tipo que não chama a atenção numa multidão, então porque?
Foi quando o dia deu uma reviravolta, ao adentrar o banheiro da empresa e reparar que ele estava amarelo. Sim, meus caros amigos, amarelo. Se perguntou desde quando estava assim. E o porquê disso, claro. Não sabia com precisão, ignorou e pensou que o próximo passo seria seus olhos esbugalharem, seus cabelos cairem, sua barriga crescer alguns centímetros, começar a beber cerveja duffy e contar piadas sem graça. Isso ele já fazia, aliás.
Qualquer semelhança com a realidade é coincidência. Ou não.
21 de out. de 2011
Por essas ruas
As vezes quando caminho nas ruas dessa cidade, meu coração se esfria. Esfria por me sentir tão só, esfria por me sentir prensado por esses muros de concreto, esses gritos silenciosos que insistem em não querer sair. E esfria pelo olhar de desprezo que é lançado ás coisas não habituais, ao que é diferente. Nessas horas eu me sinto gelado, pequeno, frágil.
Aí eu acendo um cigarro, sento e espero passar.
Aí eu acendo um cigarro, sento e espero passar.
15 de out. de 2011
A vida
- E aí, sumido! Como você tá?
- Ah, tá indo né?
- Humm...Liguei mais pra perguntar se você pode fazer aquele favor pra mim.
- Ah, é que eu tô meio sem tempo. Com uns problemas pessoais, juntando o fato de que me demiti e estou com milhares de trabalhos na faculdade, a minha mãe morreu faz 3 dias e ontem me foi diagnosticado um cancer no dedo mindinho.
- Puxa, que pena, cara...Mas você consegue fazer?
- Olha, sinceramente estou sem cabeça para pensar em qualquer coisa, viu...desculpe.
- Ah, faz de qualquer jeito, cara, é só pra tapar buraco mesmo.
- Tá...
- Beleza! Sabia que você ia quebrar esse galho para mim! Mas e aí, no mais tá tudo bem?
- Tá...
- Então tá. Me manda amanhã até o meio dia, pode ser via e-mail mesmo.
- Ah, tá indo né?
- Humm...Liguei mais pra perguntar se você pode fazer aquele favor pra mim.
- Ah, é que eu tô meio sem tempo. Com uns problemas pessoais, juntando o fato de que me demiti e estou com milhares de trabalhos na faculdade, a minha mãe morreu faz 3 dias e ontem me foi diagnosticado um cancer no dedo mindinho.
- Puxa, que pena, cara...Mas você consegue fazer?
- Olha, sinceramente estou sem cabeça para pensar em qualquer coisa, viu...desculpe.
- Ah, faz de qualquer jeito, cara, é só pra tapar buraco mesmo.
- Tá...
- Beleza! Sabia que você ia quebrar esse galho para mim! Mas e aí, no mais tá tudo bem?
- Tá...
- Então tá. Me manda amanhã até o meio dia, pode ser via e-mail mesmo.
14 de out. de 2011
I like you
Vivemos num tempo onde quem pode mais, onde quem é o mais amado, é aquele cujo as redes sociais são mais movimentadas. Não sei até que ponto isso realmente se aplica. Internet apesar de manter todos por perto um do outro, mesmo estando longe, ainda assim consegue separar. Eu não me sinto íntimo de alguém só porque houve uma interação na internet. Existem os amigos de fora, que estão também na internet, e existe os amigos feitos na própria rede.
Um like não significa nada. Um Retweet não significa nada. Um reblog não significa nada.
Um abraço significa.
Um like não significa nada. Um Retweet não significa nada. Um reblog não significa nada.
Um abraço significa.
13 de out. de 2011
No supermercado
Foco.
Entro no supermercado para comprar frango.
Vou diretamente ao ponto dos resfriados e escolho a bandeja de frango mais barata e volto rapidamente à direção do caixa. No caminho, passo pelo corredor de molhos e me deparo com uma maionese temperada que ficaria ótima acompanhada do meu frango. Pego a maionese e coloco na cestinha.
Continuo andando e mais á frente encontro bolinhos recheados na promoção. Promoção imperdível e os bolinhos preferidos. Não penso duas vezes e coloco-os na cestinho para fazer companhia com a maionese temperada.
Caminho mais um pouco e me lembro que estou sem sabonetes. Me enfio entre as prateleiras estreitas e abaixo no chão, afim de sentir o cheiro dos sabonetes. Maçã verde, escolho. O meu preferido. Sempre sinto vontade de lambê-lo.
Olho pro lado e vejo cotonetes. Preciso de cotonetes. Duas embalagens? Tá tão baratinho, vale a pena. Coloco-os na cestinha.
Um corredor depois, e estou no meio de caixas de sucos e garrafas de refrigerantes. Todos os sabores e marcas existentes no mercado. Um verdadeiro pomar industrializado. Penso que seria agradável ter algo para beber junto com o frango com maionese temperada. Suco de uva, escolho. 0% açúcar, 50% menos calorias do que os concorrentes. Life is good.
Lembro de pegar óleo, como vou fritar o frango sem óleo, ora pois? No caminho, passo pelo corredor de pães.
Lá no meio de pães light, integrais, de algodão e tudo o que você possa imaginar com a menor quantidade de calorias existentes, eu vejo uma embalagem bonita. Torradinhas, nham. Perfeitas para serem degustadas com a maionese temperada.
Continuo andando e mais á frente encontro bolinhos recheados na promoção. Promoção imperdível e os bolinhos preferidos. Não penso duas vezes e coloco-os na cestinho para fazer companhia com a maionese temperada.
Caminho mais um pouco e me lembro que estou sem sabonetes. Me enfio entre as prateleiras estreitas e abaixo no chão, afim de sentir o cheiro dos sabonetes. Maçã verde, escolho. O meu preferido. Sempre sinto vontade de lambê-lo.
Olho pro lado e vejo cotonetes. Preciso de cotonetes. Duas embalagens? Tá tão baratinho, vale a pena. Coloco-os na cestinha.
Um corredor depois, e estou no meio de caixas de sucos e garrafas de refrigerantes. Todos os sabores e marcas existentes no mercado. Um verdadeiro pomar industrializado. Penso que seria agradável ter algo para beber junto com o frango com maionese temperada. Suco de uva, escolho. 0% açúcar, 50% menos calorias do que os concorrentes. Life is good.
Lembro de pegar óleo, como vou fritar o frango sem óleo, ora pois? No caminho, passo pelo corredor de pães.
Lá no meio de pães light, integrais, de algodão e tudo o que você possa imaginar com a menor quantidade de calorias existentes, eu vejo uma embalagem bonita. Torradinhas, nham. Perfeitas para serem degustadas com a maionese temperada.
Passei dos limites, pensei. Não compro mais nada.
Me foco até o caixa e bem na saída, vejo os sorvetes.
Sorvete de limão. Sempre foram meus preferidos. Está calor lá fora, me auto justifico mentalmente. Pego o sorvete e enfio na cestinha.
Lembro que não tenho dinheiro suficiente para levar tudo aquilo. Preciso tirar algo.
Tiro o frango.
3 de out. de 2011
Almondegas
Vamos fazer almondegas com aquela carne moida que eu comprei?
Claro...vamos. Você sabe fazer?
Lógico.
Tem que fritar antes de colocar no molho né?
Não, né. É cozida no molho direto.
Ah, entendi.
...
Vou olhar na internet a receita das almondegas, só pra confirmar.
Ok.
Aqui diz que precisa fritar antes...
Ah sim, eu falei.
Falou nada. Você disse que cozinharia direto no molho.
Não disse não. Eu ainda falei duas vezes que teria que fritar.
...
Ficaram gostosas.
1 de out. de 2011
ok
Desde bem pequeno sempre fui acostumado com o pouco. Meus pais, até os meus 4 ou 5 anos de idade, foram muito pobres. Nunca fui a criança mais afortunada da turma, e não culpo meus pais por isso, na verdade isso nunca me importou tanto. Nunca fui a criança mais bonita, sempre fui desajeitado. Não fui uma criança planejado, o que não significa que os meus pais não me amavam, a diferença é que eu apenas não havia sido planejado e não tinha um enxoval me esperando, hoje sei que isso é uma bobagem e não influencia em nada na minha vida, mas saber disso quando ainda se é criança, realmente pode causar algumas coisas indesejáveis na sua cabeça, de modo, que cresci achando os meus pais não gostavam de mim da forma que eu era, somado ao fato de eu sempre me ver diferente das outras crianças e do mundo ao redor. Tudo foi um grande engano. Eu era amado de uma forma muito diferente do que eu idealizava o amor. Eu sempre tinha muitas pessoas ao meu redor, me agradando de diversas formas. Talvez por nunca acreditar nisso, eu não me tornei uma pessoa mimada.
Aos 12 anos achei que eu poderia viver sozinho, sem laço algum com qualquer ser vivente, afinal eu não fazia diferença alguma e ninguém precisava de mim. Outro erro. Eu fazia diferença dentre um pequeno universo e, querendo ou não, os meus pais e a minha família ainda precisava de mim, de alguma forma. Novamente me fechei.
Eu sempre estudei em escola particular, desde criança. Sempre me vi rodeado de crianças mais ricas do que eu e/ou mais bonitas. Elas sempre tiveram o que eu não tinha, sempre tiveram a beleza que eu não tinha e tudo o que me diferia do resto deles. Eu que sempre fui na minha, nunca fui mimado, e na medida do possível sempre tentei ser um bom filho, não tinha tanta coisa assim. Eles com seus espiritos mesquinhos, chorões e mimados, sempre tiveram tudo o que eu não tinha. A única coisa que eu tinha de destaque era o fato de saber desenhar. Sempre desenhei, desde criança. E talvez o fato de eu sempre tentar ser legal com as pessoas, afim de facilitar a minha sobrevivencia. Eu já não tinha dinheiro e beleza, só me restava ser legal, simpático, custando o que custasse. E assim sempre vivi, sem retorno algum, apenas mantendo a guarda.
Nunca sofri bullying em escolas. Nunca fui excluído propositalmente e nunca briguei de porrada. Sempre consegui manter um certo respeito por ser o "menino legal". Nunca passou disso. Eu era legal com todos, e eles permitiam que eu sobrevivesse no meio deles pacificamente. Era uma troca. Sempre fui a criança sonsa que jamais falava não. Era sempre sim, e com sorriso no rosto, mesmo que isso fosse contra a minha vontade.
Até hoje carrego traços disso. Não consigo falar um não tão facilmente e raramente consigo ofender uma pessoa por vontade própria. Hoje por exemplo, acordei no horario certinho, vim trabalhar e cheguei pontualmente. O prédio ainda estava fechado, o que me obrigou a ficar alguns 20 e tantos minutos na porta esperando alguém chegar. Aqui trabalhamos em dois, aos sábados. Revesando a criação e execução de materiais gráficos. O outro garoto apareceu aqui as 11h30 da manhã. E eu desde as nove me fodendo sozinho e fingindo que estava tudo bem.
Por muitas vezes, permito que as pessoas me massacrem, apenas por falta de iniciativa de magoar alguém. Permito que me magoem para não magoar. Isso não é racional, vindo da minha parte. Não está certo.
Talvez por isso eu vivo esperando para viver. Não acho que eu já esteja vivendo, fico aqui sempre na esperança de um dia começar a viver de verdade. Sei lá, algum dia que eu alcance o céu. Acordo cedo todos os dias, demoro cerca de uma hora para chegar ao meu trabalho, que é um lugar que mal posso ser eu mesmo, fingindo ser alguém que todo mundo quer que eu seja, sempre com problemas de dinheiro e sempre com alguma questão emocional pendente, tendo apenas como momento de relaxamento os domingos e ainda assim não recebo nada da vida. Só me fodo. Sempre. Fico pensando quando isso realmente vai mudar. O que mais preciso fazer?
Aliás, nem sei porque escrevi isso aqui. O máximo que eu vou receber é um "ok" de alguém, como sempre e nada vai mudar. De qualquer forma, escrever para pessoas fantasmas ainda é mais libertador do que continuar com isso tudo na cabeça, se infiltrando em cada entradinha do seu cérebro, fazendo você acreditar com ainda mais força que você é um merda.
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