22 de dez. de 2009
Fancy
As vezes me pego fantasiando. Fantasiando coisas que eu sei que não irão acontecer. A carência sempre me pega ao final do dia e eu não sei como evitar. Me pego com o olhar perdido, olhanado para o nada ou encarando, mas sem enxergar, qualquer coisa ou pessoa no metrô lotado, em horário de pico. Olho para a chuva que cai forte lá fora e finjo - e acredito, por alguns instantes - que existe alguém lá na estação me esperando, para me levar de carro para casa, me secar, me dar uma sopa quente e ouvir sobre o meu dia. Eu dou risada quando me lembro que nada disso existe. Eu, como todos os dias, caminharei sozinho até o ônibus lotado da estação e me apertarei ao meio de várias pessoas ansiosas para chegarem em casa e ao chegar não serei recebido alegremente por ninguém e provavelmente comerei algum resto de almoço de dois dias anteriores.
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