Entrei no vagão e a primeira coisa que reparei é que ele estava lá. Sentado e com cara de sono. Suponho que estava acordado há no máximo duas horas. Eu permaneci de pé na porta. O vagão estava relativamente vazio, embora não houvesse sequer um banco livre. Eu vestia verde. Ele vestia azul. Eu já tinha me esquecido do poder que ele exercia sobre mim. Em outros tempos, eu como um adolescente idiota, passava na frente da loja que ele trabalhava só para poder vê-lo. Mesmo que de longe e mesmo sabendo que ele desconhecia completamente a minha existência. Eu continuei ali de pé, inexpressivo. Percebi que ele me olhou e ficou reparando nas minhas tatuagens. Fiquei nervoso. Alguns minutos se passou e o rapaz que estava sentado no banco da frente dele - exatamente na frente - se levantou, e eu mais do que depressa me sentei ali - o que me obrigava a ficar exatamente de frente pra ele e consequentemente, poder olhá-lo melhor. Eu estava nervoso, como sempre fico quando estou perto de alguém interessante. Ele continuou me olhando, disfarçadamente. E eu olhei para ele também, completamente sem graça. Quando chegou na Sé, ele levantou e eu tive intenções de segui-lo. Vi que ele seguiu para o sentido Jabaquara. Eu infelizmente me lembrei que eu ia para o sentido Tucuruvi. Perdi uma chance.
Quando estava dentro do vagão, percebi que eu tinha ido para o sentido Tucuruvi, e não era ali que eu deveria estar. Na verdade era para eu ter seguido sentido Jabaquara e não Tucuruvi como, inicialmente, eu havia pensado.
Não me perdoei por isso e eu poderia ter seguido-o. Droga!
Um comentário:
quem? o menino da chili beans?
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