29 de abr. de 2010

O espertão

Quando eu era criança eu tinha muitas idéias bizarras, pra não dizer maliciosas. No auge dos anos 90, aquela moda de tererê na cabeça, pochete virada para trás e elástico nos cadernos. Em meio a tudo isso, surgiu a moda dos piercings de pressão. Eu tinha um que eu colocava parte superior da orelha (AI GENTE) e ia todo feliz para a escola daquele jeito. Certo dia um garoto que eu gostava muito (era muito meu amigo) viu e quis um igual. Eu disse que na lojinha da minha mãe vendia aquilo (mentira, minha mãe nunca teve uma lojinha na vida) e que no dia seguinte eu levaria um pra ele em troca de três reais. Na minha cabeça eu ia comprar um novo (que era um real) e lucrar dois reais. Mas como, desde aquela época, até parece que ia dar certo, fui na lojinha (que não era da minha mãe) e não tinha mais nenhum piercing de pressão. Tinha que arrumar um, não importasse o jeito que fosse. Já que eu queria muito ganhar dois reais (AI GENTE) e de certa forma, eu tinha prometido para o menino. Cheguei em casa e fui inundado por uma brilhante idéia. Peguei um clip, abri e deixei o no formato (toscamente) de uma argolinha de piercing e vendi. Ganhei dois reais e o menino ficou com um pedaço de clip pendurado na orelha.

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