As coisas mudam. É a regra do universo. Nada fica parado, por mais que tenhamos a impressão de que estão, de fato, paradas. Quando te vi e me aproximei, acreditei que fosse durar. Não está durando. Na verdade, não durou, como você insiste em me lembrar. As coisas ficaram difíceis e as paredes se estreitaram. Ainda assim, desejo-lhe sorte no seu caminho. Siga em paz. E digo mais, se eu puder evitar te machucar de alguma forma, eu farei isso. Afinal, pra que desejar o mal de alguém se não ganharei nada com isso. Nem prazer próprio, porque na minha opinião isso é burrice. Não sou desses de parar alguém para me sentir mais veloz. Foda-se. Lembrarei com carinho de todas as coisas que passamos juntos. Das nossas compulsões no mc donalds as 10:00 da manhã. Dos nossos desenhos em conjunto. Dos nossos diálogos nonsenses. De quando eu ia até a penha a pé com você, para te acompanhar até metade do caminho da sua casa e você não ir sozinha. De quando eu fazia desenhos anuais da galere e você sempre demonstrava mais empolgação do que as outras. De quando eu te dava aulas de desenhos pornográficos. De quando a gente se juntava para rir da cara da Aline. De quando eu falava no feminino só para você dar risada. De quando você me ajudou a subir as escadas da minha casa com um armário pesado nas costas. De quando você me ajudou a vender muambas no ferro velho para conseguir grana. De quando eu fiz uma limpeza no meu guarda roupa e você estava ali do meu lado, olhando com cara de cachorro pidão, louca pelas minhas camisetas velhas. De quando a gente encanou que perderíamos a virgindade juntos, marcamos dia e hora e no fim acabamos assistindo borat e não fazendo nada, de tão tensos. De quando eu fui parar em um motel com você e a sua namorada da época. Das vezes que eu fiz você bêbado. Das vezes em que você chorou na minha frente. De quando decidimos que design era a nossa vocação, e eu continuei no caminho e você desistiu. De quando ficamos um ano sem nos falar, graças aos caprichos de uma única pessoa. De quando eu digo que você tem 13 anos. De quando eu digo que você tem 65 anos. De quando ficamos com óculos escuros no metrô de noite. De quando a gente vivia enfurnado dentro de comitês do PT, pra juntar material e enfeitar a sala do professor Edson, que era do PCO e anti-petista até o rabo. Do ultimo dia de aula, em que fomos os que mais choraram. Foi a única vez que você me viu chorar. Eu te vi chorar incontáveis vezes. Fluorescent Adolescent. Sabia que essa música me faz lembrar de você? E sabia que é o meu toque de celular? Lembra quando a gente passou a tarde toda juntos e eu estava louco para comprar aquela maldita mandioca e você me ajudar a encontrar uma pessoa que eu sequer sabia onde trabalhava? Também vou lembrar com carinho do nosso infundável problema com peso, quando na verdade sabemos que não somos gordos e que mesmo assim adoramos sofrer com isso e ficar nos encarando no espelho e dando tapas fortes nos braços e nas coxas, só para ver a pele balançar todinha. Vou lembrar dos seus peitos, que você sempre mostra quando está bêbada. De quando eu fui com você para fazer o piercing. De quando a gente sempre tentou se entender, mesmo aos trancos e barrancos. De quando a gente sempre ficava mais próximo depois de muito tempo de cara virada. Acho que não somos mais os mesmos. Tudo mudou, como eu disse no começo. Você sempre acreditou que as coisas durariam para sempre incondicionalmente. Eu não.
6 comentários:
Texto sincero e direto.
Gostei =)
Na verdade ele era do PSTU
vcs terminaram?
eu passei minutos e minutos tentando lembrar do partido.
não, já fizemos as pazes.
parece namoro isso né???
credo.
A gente já reatou.
=D
Incrível como o post ser o triplo do meu, vcs terem o triplo de convivencia, ou simplesmente a necessidade de dentro de vc de que vc deveria também fazer um post sobre ela acaba com minha posição e me faz sentir como se minha amável superioridade não valesse de nada.Hum,e não vale mesmo.Não do jeito que eu a aplico.E já me afetou mais esse tipo de coisa.Ai gente tô aqui fazendo A análise.
WHAT'S THE POINT?
Postar um comentário