28 de jan. de 2011

Estranhamento

Moro num bairro de pessoas comuns. Todos são iguais, ouvem as mesmas músicas, se vestem da mesma forma e se comportam todos da mesma maneira. Principalmente, os jovens da minha idade. Por muito tempo, no início da adolescência, eu tentei me adaptar a esse mundo. Eu queria fazer parte de alguma coisa, me sentir um jovem normal, enfim. Claro que não consegui. Nada dessa "normalidade" me era natural. Sempre fui um garoto muito intenso, ou era preto ou branco. Desde criança, eu me sentia diferente da maioria das pessoas da minha idade. Enquanto todos já estavam naquela de beijar na boca, eu ainda estava em casa comendo bolo de chocolate e assistindo Castelo Rá Tim Bum. Cresci vendo as pessoas cochicharem sobre mim, ou sobre terceiros falando sobre mim para os meus pais, ou vendo grupos de pessoas cessando a conversa quando eu passava, ou simplesmente me ignorando totalmente. Nunca me senti parte de um grupo. Justamente por que eu era diferente. E eu me julgava ser MENOS do que todos por isso, quando na verdade, era apenas a minha natureza. Meu tempo nunca foi como o das outras pessoas. Sempre estive com um pé dentro do meu mundinho e outro fora. O meu mundinho sempre esteve lá, e ainda está. Hoje em dia não me sinto menos. Você pode dizer: E daí pro que os outros pensam sobre você? E daí se você não é aquilo que todo mundo espera que você seja? E daí? Você acostumou a viver assim. Isso é você. E a diferença é linda. Você não é menos e nem mais que ninguém. Você é simplesmente você. E acredito que essa é a nossa missão no mundo. Ser o que somos, desde que seja verdadeiro.

Um comentário:

Daniela disse...

"desde que seja verdadeiro"

boniito isso.