Era um dia frio, assim como está hoje, se a minha memória não falha. O que tem a chance de 50% de acontecer, já que me recordo absurdamente de algumas coisas e sou deixado para trás pela minha memória em outras tantas vezes. Mas isso não importa. Estávamos sentados na frente de uma pastelaria bacana, conversando sobre os nossos planos. Eu com aquele e você com aquela. Ficamos naqueles "oun" por alguns minutos. Eu olhando para você, você ficando vermelha e mandando eu parar. Eu não parava. E assim passou aquele dia. Você louca para chegar em casa e descarregar suas fotos e mostrar para a pessoa que você queria impressionar e eu torcendo, mentalmente, para que o meu também fosse arranjado.
Depois de um tempo surgiu a resposta: não deu certo.
Assumimos aquela condição e voltamos ao ponto zero. Vegetal. Pedra. Porta. Ou o que queira chamar.
...Em uma outra noite, estaríamos fora de um restaurante com uma decoração bonita e um pessoal que não conhecíamos, fumando. Usamos isso como desculpa para falarmos de nossa satisfação sem ninguém escutar. E em partes para poder respirar, já que lugares como aqueles não nos agradam, embora a companhia não podia ser melhor. Eu contava, pela primeira vez com tanta dose de açúcar, sobre a minha felicidade atual. Você contava a sua, já com seu habitual açúcar, que eu novamente me acostumei. Gosto da sua cara de boba, devo dizer. E eu com o meu típico sorrisinho insinuado no canto do lábio, que você tanto conhece. Isso foi o suficiente para percebemos em que condição estamos.
Um comentário:
aposto na ironia, juro.
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