Inverno de 1995. Excursão para o zoológico, eu estava sentado no banco do ônibus, observando a paisagem. Eu vestia uma blusa de moletom da Pakalolo, listrada de verde escuro e vinho. Minha vó ao meu lado, pensando em qualquer coisa. Seus cabelos muito loiros balançando com as curvas que o ônibus fazia. Eu cantarolava baixinho alguma música e agarrava a bolsa de couro da minha vó, ao peito. Apertava delicadamente a alça da bolsa, que era fofinha. Como se fosse preenchida com alguma coisa. Perguntei á minha vó o que preenchia aquilo, apontando para a alça. Minha vó respondeu que tinha lanche ali dentro. Fiquei imaginando como poderia haver lanches dentro daquela alça tão pequenininha. Passei alguns bons minutos refletindo sobre isso, até que cheguei à conclusão de que ela não tinha entendido o que eu queria dizer. Foi ali que tudo começou e eu vi que nem sempre seria compreendido.
Me lembrei desse episódio hoje no metrô, quando senti o mesmo cheiro da bolsa de couro velho da minha vó.
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