Hoje quando vinha trabalhar, sentado no metrô, eis que entrou uma moça. Uma moça de aparentemente, uns 20 anos. Era boliviana. Carregava uma enorme mochila e uma bolsinha de mão com os dizeres "un regalo de bolivia".
Fiquei olhando seu rosto por alguns longos minutos, sem conseguir desviar. Ela não era bonita. Ela não estava cheirosa. Ela não estava nem acordada direito. Mas alguma coisa não me deixava desviar do seu olhar.
Mergulhei dentro dos olhos dela e visualizei solidãom, preconceito e muito sofrimento. Fiquei imaginando como é difícil ser diferente em uma multidão de pessoas pré-moldadas. Nós, brancos, classe média, empregados, e etc não podemos imaginar o que ela aquela garota passou até estar ali, de pé com olhar perdido dentro daquele vagão de metrô, precisamente às 8h30 da manhã. Desceu no Belém, grande concentração de fábricas onde trabalham bolivianos. Senti uma pontada de tristeza ao pesar que o destino dela, provavelmente seria um lugar desses. Onde ela passaria seu dia, e de noite retornaria ao mesmo lugar de onde veio. Alguma casa perdida na periferia.
Eu não sei porque isso me tocou. Não sei direito porque pensei tudo isso.
E provavelmente isso não deve nem fazer tanto sentido.
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