A rua estava toda escura, exceto por um farol de um automóvel se aproximando. O único som que se ouvia era o da respiração de duas pessoas. Um gato saltou de um muro e correu. O frio estava congelante e um clima tenso pairava pelo ar, tão tenso que podia ser visto a olho nu. Ela estava de partida. Tivera a chance de escolher entre um amor e as oportunidades de emprego, fama e riqueza em alguma metrópole. Era do tipo temerosa, mas ao mesmo tempo tentava parecer segura de si. Até que, por fim, o rapaz disse, cortando o silêncio absoluto:
- Não quero que vá, fique comigo?
- Já conversamos sobre isso, não é mesmo?
- ...
Abraçou-a, quase em lágrimas. A rua já completamente escura, o carro já tinha saído de cena.
- Eu acho que eu te amo de verdade, disse ele, agora em lágrimas.
- Eu sei, eu sei...Eu também acho que te amo, mas não posso simplesmente largar essas oportunidades. Nós ainda podemos ser amigos.
- Não quero ser seu amigo.
- E porque?
- Porque és a minha mulher, oras.
- Eu nunca fui de ninguém, não confunda as coisas.
- Vou sentir sua falta.
- Eu também.
- Posso te acompanhar até o areporto?
- Prefiro que não vá.
- Mas...
- Fique.
Uma hora e meia depois, ela estaria dentro de um avião com algum destino absurdo. Sem saber direito que direção tomaria. A oportunidade de emprego nunca existira. Foi usada apenas como fuga. Ela chorou o voo inteiro. O amava de verdade. Só estava com medo.
Fuga.
Não tinha medo de arriscar todo o seu conforto na terra natal, o seu emprego, a sua vida, mas tinha medo do amor.
2 comentários:
viixe
Cruzes. Eu tbm tinha, mas aí superei. Sou foda dig din dig din dig din.
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