9 de nov. de 2010

O espírito pré-natalino, a conversa que salvou o meu dia e a chuva de granizo

Depois de duas semanas sem dar as caras na aula de ilustração, hoje resolvi ir. Descobri que desenho continua sendo a minha terapia particular. E tudo o que eu precisava num bad day, como hoje, era passar duas horinhas desenhando. Entrei na aula, encarei a folha em branco, olhei para a caneta e comecei a riscar. E essa é a minha terapia. Tudo bem que eu desenhei um gatinho mal humorado olhando para um crânio felino e a palavra DEATH em letras grandes no papel, mas tudo bem. Tudo ok.
...
Saindo da aula, caminhei até o ponto de ônibus, para então retornar ao meu lar, pude reparar que a maioria dos apartamentos estão decorados com enfeites natalinos. Um mais bonito e elaborado do que o outro. Ainda estamos no começo de novembro e eu achei engraçado aquilo tudo. Me lembrei dos natais antigos em que eu esperava ansiosamente todos os anos. Era a minha data preferida. Não só pelos presentes que eu ganhava, mas sim pelo clima agradável que enchia as ruas e as pessoas - até hoje não sei definir com palavras. Só me lembro de adorar essa época, e todas as pessoas amorosas, o clima, o cheiro, a minha família reunida na casa de alguém. Me lembro do meu pai colocando todo mundo no carro e sairmos para passear à noite e ver as luzinhas das casas. Era maravilhoso. Mas perdi esse olhar. Ou talvez a graça tenha sumido. Não me recordo de algum natal recente ter sentido novamente essas coisas. Associei natal com ficar sozinho. Talvez porque passei as festas dos últimos 3 anos sozinho em casa comendo miojo.
...
Na volta da aula, peguei um ônibus e sentei ao lado de uma senhora de uns 50 anos, aproximadamente. Como estava chovendo, os vidros do ônibus estavam todos fechados. E em São Paulo está fazendo um calor absurdo. E eu fiquei me abanando com um panfletinho. E ela viu e pediu pro cara da frente abrir o vidro. Eu agradeci. A partir disso, conversamos. Eu desembestei a falar como nunca antes. Ainda mais com desconhecidos. Falei sobre a vida, sobre as coisas que penso e ela ouviu atentamente. No fim ela disse que eu era lindo e não tinha nada que ficar cabisbaixo assim. Quando chegou o meu ponto de parada, dei um tchau e um "bom descanso" para ela. Ela respondeu o mesmo. Fiquei feliz e senti vontade de chorar. Me comovo quando desconhecidos interagem comigo.
...
Está chovendo granizo. As pedrinhas estão batendo na minha janela.

3 comentários:

Luan Henrique disse...

Ownnnn que fofo *-*

O ultimo estranho que interagiu comigo foi a mulher do meu cartão de crédito e conseguiu arrancar 10 reais de mim. Pelo menos foi mais barato que uma prostituta e sem a parte assustadora onde eu tiro a roupa e ela dá risadas...

Ciça Criatura disse...

Sabe Vinicius, eu venho sempre aqui. Nem sei desde quando e como vim parar aqui, mas sempre volto. Acho que te achei por causa de desenho, deve ser isso. Eu sou designer de formação, estudei no Mackenzie. E acredito piamente que desenhar é o ato mais libertador que um ser humano é capaz de propor a si mesmo. Você pode tudo com um lápis na mão. É incrivel como certos seres humanos abrem mão de desenhar. Porque todo mundo nasce sabendo e vai desaprendendo com a vida. Se com vc é diferente, como parece ser, JAMAIS desista deste dom que vc tem. O desenho me deu tudo que eu tenho hoje, e posso te garantir que viver de desenhar é sublime. Se quiser me conhecer, dá um bizolho no meu blog. Nada de mais, mas alguém que olha pras próprias adversidades e desenha uma boquinha feliz em cima delas e segue em frente. Bom post esse, e como vc não vê problemas em interagir com estranhos, tomei a liberdade de escrever. Not a big deal, mas...tb adoro luzinhas de Natal, :)
That´s it miguelito
Ciça CRIATURA
http:\\criaturadamoda.blogspot.com

Aline Inforsato disse...

menino, vc tá outro.

as pessoas perderam a graça em natal... pouca gente enfeita casa ultimamente e quando enfeita não é mais aquela coisa de antes.

só uma correção.. há três anos atrás vc passou o natal aqui em casa. foi quando meu tio perguntou se vc tava me comendo, lembra?

beijos, vini... e para de querer comer a sobrinha dos outros