Domingo eu vi um cara dentro do metrô com uma blusa de moletom amarelo limão. Até aí o fato já seria atípica, porque juntamente com a blusa, ele estava usando uma bermuda laranja. No meio da viagem, o vagão meio vazio, ele saca um gilette de dentro do bolso. Pensei: Pronto, o que esse cara vai aprontar com esse gilette em mãos? Resolvi ficar olhando de rabo de olho. Passado um tempinho ele começa a tirar todas a bolinhas que tinha na blusa dele. Claro, que isso começou a atrair olhares e rapidamente todo mundo começou a soltar risinhos. Ele parecia não se importar muito. Pelo menos foi o que imaginei. Do jeito dele é feliz...Talvez seja mais feliz do que eu, que ainda mantenho um pouquinho de sanidade.
Segunda feira prendi meus dedos da mão direita na porta do busão. As portas de hoje em dia estão muito violentas. Realmente doeu e muito me admira que eu ainda tenha unhas. Embora estejam um pouco roxas e com sangue pisado. Nunca entendi o porquê de ser sangue pisado a expressão usada para esses casos.
Terça feira fui pra aula e fiquei enrolando o tempo todo, fazendo auto retratos detalhados na folha de lição. Toda hora que o professor passava na minha mesa, lá ia eu apagar tudo, pra assim que ele virar as costas, tornar a fazer. Foi uma peleja travada, mas no fim consegui. Tentei escanear, mas como o lápis tá clarinho não saiu quase nada. Mas valeu o sacrifício, porque ficou bem legal.
Quarta feira, mais conhecido como ontem, foi o dia mais triste da semana. Sem dúvida alguma um dos dias mais solitários da minha vida. Nada de diferente aconteceu, nada mudou...mas eu acordei me sentindo carente. Necessitado de um abraço, alguma palavra de fé, mesmo que fosse do Luís Moreno. Daí cheguei em casa planejando dormir e não consegui. Minha cabeça viajou por mil lugares, mil planos diferentes. Daí eu me deprimi de novo porque percebi que estou numa direção estranha. Não ando seguindo nada. Meio que estou largado num mar de massa sem vida, usando uma metáfora. Não que algum dia eu tenha tido alguma direção pra qualquer coisa, mas agora, mais do que nunca sinto necessidade disso. Gostaria muito de ter algum tipo de estabilidade na vidam, qualquer área que fosse. Minha vida é tão inconstante que tudo pode mudar em questão horas. Sempre foi assim.
Hoje no horário de almoço me deu crise consumista. Sabe quando você tem NECESSIDADE de comprar alguma coisa? Mesmo que seja uma bala...Resolvi me dar um limite e gastar somente aquilo. Decidi ir até a galeria do rock procurar algum CD legal. Coloquei na cabeça que eu queria comprar o Is Is do Yeah yeah yeahs, porém é EP difícil de ser encontrado aqui no Brasil. Entrei em uma loja, já não esperando muita coisa e perguntei se eles tinham o tal EP. O balconista, metaleiro até o cu, me vem com o álbum It's Blitz (o álbum mais recente da banda) e eu educadamente disse que não era aquele, eu queria mesmo o EP chamado Is Is. O cara me mediu de cima a baixo e me informou que o tal EP não existia, que eu devia estar enganado, já que ele tinha tudo da banda no estoque e esse EP não constava na mesma. Tentei explicar que é um EP meio difícil de encontrar, que não era muito conhecido, que foi lançado em 2007 e mimimi e ele não quis me ouvir. Disse que simplesmente não existia. Ou seja, insinuou que eu seja retardado. Tudo bem, eu não esperava que ele soubesse. Saí sem discutir e desisti de comprar qualquer coisa. Virei a esquina e comprei um maço cigarros e calei a minha boca.
Bem, é isso. Não anda acontecendo muita coisa na minha vida.
Sem mais.
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