Hoje de manhã tive uma notícia hiper desagradável. Estava saindo para trabalhar, abrindo o portão de casa, quando olho para casa à frente e avisto uma cartolina com alguns dizeres escritos em preto - com caneta piloto, e uma simples letra de mão, dizia: "Hoje (25-06-09) será velado o corpo de Nair Souza, as 14:00 no local tal tal tal..." Custei a acreditar quando vi aquilo.
Nair foi uma senhora que viveu sua vida inteira naquela casa, e desde que eu me mudei pra minha casa atual, minha família sempre nutriu um carinho especial por aquela senhora - que chamávamos afetivamente de Dona Naná, já de idade, mas que era sempre enérgica e carinhosa com todos. Me lembro dela me chamando carinhosamente de "gordo". Depois que eu cresci e emagreci ela dizia que já não era mais conveniente me chamar assim. Ela sempre ia viajar e trazia queijo pra
gente, não importava onde ia. E sempre ficávamos despreocupados quando íamos viajar, pois ela sempre cuidava das nossas coisas.
Na época em que eu frequentava a casa dela, sempre era super bem tratado. Eu realmente gostava dela.
Na verdade nunca fui muito de ter contato com vizinhos, exceto com a família dela - que eu posso dizer que amo como se fosse a minha.
Fico pensando como deve estar os parentes dela, que eram muito apegados a essa senhora. Percebo que somos todos vulneráveis à morte, a qualquer momento - ao se levantar da cama até a hora de dormir. E que se agora ela (a morte) nos parece tão atraente, quando estamos diante dela, de alguma forma, essa ainda nos pode chocar. Eu não esperava que isso fosse, um dia, me deixar desta forma - desprotegido, indefeso e com medo.
Bom, espero que a família dela fique bem. E que ela tenha ido sem nada pendente nesta terra. Não tenho religião alguma, e posso dizer que sou cético em muitas coisas que essas seitas e religiões pregam por aí, mas independente de qualquer coisa só desejo que ela tenha a paz que merece.
Enquanto caminhava até o ponto de ônibus, lembrei de como ela sempre foi agradável com a minha pessoa, da sua voz e do seu jeitinho peculiar de andar...Quando me dei conta, uma lágrima escorria quente e tímida no meu rosto.
Descanse em paz Dona Naná.
2 comentários:
que ela tenha um pós-vida tranquilo.
de coração.
é estranho como a morte acontece assim, sem grande ação ou sem nenhum instrumental intenso. oi, tô vivo. e no momento seguinte "tchau, morrí".
quer dizer, nem sei mais do que eu estou falando.
fica bem.
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