Hoje, depois de um bom tempo, senti que eu ainda posso ter algum motivo para sonhar e querer viver.
A noite estava bonita, a lua estava bem definida e brilhante como uma mancha branca sobre um tecido preto. O frio penetrava por cada brecha deixada sob a roupa. Uma garrafa de coca-cola e um maço de cigarros era o que tínhamos. Dividíamos os nossos medos e fazíamos planos. Observei o corpo dela descoberto sob o vento que corria de cima a baixo. Ela me contava coisas de sua vida, e eu da minha. Me senti vivo naquele momento, e a vida não me parecia tão cruel como ela se apresentou. Senti que ainda existe uma pontinha do meu ser que luta por um pouquinho de vida. A auto-destruição, por um instante me pareceu tão pequena e ridícula, como uma barata, que se pisa e acaba com ela facilmente.
...
Encostei a cabeça na janela do ônibus e observei cada grupo de pessoas alegres que se locomoviam em direção ao "sábado a noite". Pessoas gordas, magras, bêbadas, sóbrias, bem-vestidas e mal-vestidas. Sempre tive aversão às noites de sábado. Sempre tive aquela coisa de "ninguém vai me chamar pra nada". E eu realmente estava indo pra casa. Mas diferentemente de todas as vezes, um sorriso preenchia meus lábios. Não é todo dia que se percebe que ainda estás vivo e que você quer e precisa de mais vida.
2 comentários:
:)
quero te ver sempre feliz! me preocupo com vc, seu doido.. mesmo não parecendo...
ps: vc tava observando o corpo da jo?
ciumes, ok
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